domingo, 2 de dezembro de 2012

"É preciso tornar o teatro uma realidade" (Patrícia Galvão, em A Tribuna)


A  presença de Patrícia Galvão na história do teatro é marcada pela participação na vitoriosa campanha pela construção do Teatro Municipal, na criação da União de Teatro Amador de Santos (UTAS), no apoio à realização de importantes festivais, no incentivo aos jovens talentos e na formação de grupos amadores. “Há muita gente interessada no teatro, e é preciso fazer-se pelo teatro em Santos uma coisa grandiosa: torná-lo uma realidade”, escreveu ela em A Tribuna. O jornal era um canal para Patrícia disseminar seus conhecimentos e quando escrevia sobre teatro fazia questão de assinar seu nome, abdicando dos pseudônimos. As páginas do jornal revelam sua atuação como crítica, tradutora, diretora e agitadora cultural. A leitura de publicações internacionais a mantinha atualizada sobre a movimentação teatral no mundo, além do contato pessoal com muitos autores.

Em reunião de teatro, Patrícia, ao centro, ao lado de Paschoal Carlos Magno. Abaixo, de óculos, Maurice Lègeard. De bigode, Evêncio da Quinta, ao lado de Plínio Marcos (Arquivo Cinemateca de Santos).
Na seção Teatro Mundial Contemporâneo, divulgava, em 1955, sobre nomes ainda pouco conhecidos ou estudados, como August Strindberg, Bertolt Brecht, Ugo Betti, Armand Salacrou, Garcia Lorca, Tennessee Wiliams e o próprio Ionesco. Os amadores, aos quais sempre me dirijo, porque penso que eles devem lançar-se à experiência e ao vanguardismo, capazes de influir no teatro profissional de rotina e comércio, terão muito o que aproveitar destas notas de leitura, das informações que aqui estão coligidas, e a não serem publicadas ficarão inúteis... É preciso sempre, como dizia um dos mestres da renovação mental do homem, neste século, Sigmund Freud, “despertar o sono do mundo”.

Na coluna Palcos e Atores, iniciada em abril de 1957, registrou acontecimentos teatrais. Difundia nomes de vanguarda, discutiu políticas culturais, acompanhou estreias nacionais e internacionais. Além da crítica de espetáculos, escreveu sobre a dramaturgia desde a Grécia antiga ao teatro amador e estudantil de Santos. Abordou obras literárias sobre o tema, que recebia das editoras (principalmente da Agir), respondia a consultas do público e analisava peças de relevância (como A Compadecida, de Ariano Suassuna, uma de suas preferidas), além de textos de autores vanguardistas que traduzira. A coluna também revela nomes de artistas com os quais ela se relacionou para além dos palcos, acompanha a movimentação teatral em São Paulo e principalmente em Santos, registrando o cotidiano da cultura na cidade. Alguns de seus textos permitem até sentir a atmosfera do bar Regina.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Apresentações artísticas homenagearão Patrícia Galvão (Pagu) 50 anos após sua morte

O jardim de Patrícia, performance do Núcleo de Pesquisa do Movimento (foto Márcio Barreto)
Cinquenta anos após sua morte (12/12/1962), Patrícia Galvão (Pagu) será lembrada em Santos e em São Paulo por meio de debates e apresentações artísticas. A programação integra o lançamento do livro De Pagu a Patrícia – o último ato (Dobra Editorial / Fundo de Cultura de Santos), da jornalista e pesquisadora Márcia Costa. As homenagens ocorrerão nos dias 05 de dezembro na Casa das Rosas, em São Paulo, e no dia 08 de dezembro na Pinacoteca Benedicto Calixto.

Dois trabalhos inéditos foram preparados especialmente para a data. O primeiro, o espetáculo de dança contemporânea O jardim de Patrícia, inspirado no livro De Pagu a Patrícia Galvão, é um trabalho do Núcleo de Pesquisa do Movimento - Imaginário Coletivo de Arte, cujo processo de pesquisa mergulha no universo paguniano.

Espetáculo  do Núcleo de Pesquisa do Movimento será apresentado na Pinacoteca, dia 08, em Santos (foto Márcia Costa)
Segundo a diretora e criadora Célia Faustino, o trabalho traz à tona referências como o teatro  de Arrabal (com a peça Fando e Lis),  de Samuel Beckett (Esperando Godot) e a Música Nova de Gilberto Mendes, entrelaçados pela música-cinema do grupo Percutindo Mundos. Através da multilinguagem (dança/música/teatro/literatura), a pesquisa traça um paralelo entre os últimos anos de vida de Patrícia Galvão em Santos, para onde se mudou em 1954, trocando definitivamente a militância política pela atuação como jornalista e agitadora cultural, e as atuais perspectivas da arte  no uso dos espaços urbanos. A dramaturgia e direção musical são de Márcio Barreto. Atuam como intérpretes-criadores Célia Faustino, Márcio Barreto, Alessandro Atanes, Maria Tornatore e Marília Fernandes. Criado em 2011, o Núcelo de Pesquisa do Movimento reúne artistas do litoral paulista, agregando dança, eutonia, teatro, circo, música, literatura, filosofia e artes visuais, e está diretamente ligado à experimentação.

Já a atriz Marisa Matos parte da própria escrita de Patrícia para revelar a intelectual e militante cultural e sua luta pela vanguarda e o teatro amador. Marisa fará uma releitura do texto Degraus da Escada, publicado por Patrícia no jornal A Tribuna poucos anos antes de morrer, onde relata a sua luta e paixão pelo teatro. “Teatro é duro. carreguei minhas pedras e subi meus degraus por mais ruim que fosse a íngreme escada”, registrou a modernista no jornal. Marisa é atris, dubladora, dirige a Periscópio Cia.de Arte e participou de vários espetáculos teatrais, dentre eles Rota LiteráriaO segredo da princesa Alumínia e Rodrigueanas. No cinema atuou em Querô, de Carlos Cortês, e Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, além de ter participado de vários curta metragens atuando como atriz e também na produção.

Marisa Matos fará releitura de texto de Pagu sobre o teatro na Casa das Rosas, dia 05, em São Paulo
O público também apreciará canções de Juliette Gréco, uma das cantoras preferidas de Patrícia Galvão, interpretada na voz da cantora Alice Mesquita, cantora com formação musical em canto lírico e violão. Cosmopolita como Patrícia Galvão, Alice viveu vários nos Estados Unidos, onde participou como organizadora, diretora musical e cantora em vários eventos internacionais. Seu repertório clássico reúne canções francesas, Italianas, espanholas, brasileiras e americanas, além do folclore sul-americano. Poliglota, conjuga a atividade de autora, tradutora e pesquisadora nas áreas de literatura e história.

Alice Mesquita interpretará algumas das canções preferidas de Patrícia Galvão na Pinacoteca
Já Tarso Ramos interpretará ao piano canções de seu rico repertório, principalmente do aclamado Ênio Morricone, que vem estudando ao longo dos anos. Formado em composição e Arranjo e na Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES), suas interpretações ao piano solo foram apresentadas no programa de rádio Bandas Sonoras Originales, em Valência, Espanha. Fundou a Orquestra Jovem Jean Piaget e o grupo Quatro Quartos e lançou dois livros: Ciência da Música – da teoria à regência e O Homem das Estrelas – vida e obra de Ennio Morricone.
Tarso Ramos apresentará na Pinacoteca canções de Ênio Morricone e outras de seu vasto repertório.

Debates 

Em Santos e em São Paulo a produção cultural de Patrícia Galvão e a arte dos anos 50 será tema de discussão. Na capital, o debate mediado por Flávio Viegas Amoreira contará com a presença do jornalista Geraldo Galvão (filho de Patrícia Galvão), Terezinha de Almeida (atriz que trabalhou em peças produzidas por Patrícia), de Márcia Costa e Sérgio Mamberti, que foi amigo da jornalista (nome a confirmar).  Já em Santos, participam do debate Geraldo Galvão, Lúcia Teixeira Furlani e Sérgio Mamberti (nome a confirmar).

Programação do lançamento

Dia 05 de dezembro, às 19h - Casa das Rosas, em São Paulo

Apresentação do evento: Flávio Viegas Amoreira.
Releitura de um texto jornalístico de Patrícia sobre o teatro com a atriz Marisa Matos.
Debate com Márcia Costa, Geraldo Galvão, Terezinha de Almeida e Sérgio Mamberti (nome a confirmar).
(Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista).

08 de dezembro, às 16h - Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos

Apresentação do evento: Flávio Viegas Amoreira.
Alice Mesquita (canto).
Performance O Jardim de Patrícia, do Núcleo de Pesquisa do Movimento – Imaginário Coletivo de Arte (com Célia Faustino, Márcio Barreto, Marília Fernandes, Maria Tornatore e Alessandro Atanes).
Debate com Márcia Costa, Geraldo Galvão, Lúcia Teixeira Furlani e Sérgio Mamberti (nome a confirmar).
Tarso Ramos (piano).
(Endereço: Av. Bartolomeu de Gusmão, 15).
Mais informações: Márcia Costa (13- 8126-1500)


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

No círculo do teatro



Odete Lara, José Mauro Vasconcelos e Tônia Carrero em visita a Santos. À esquerda, Maurice Lègeard (de óculos) (Arquivo Cinemateca de Santos)

O Clube de Arte, o Clube de Cinema, a Aliança Francesa e a Rádio Clube eram alguns dos locais em Santos que abrigavam a cena cultural, que reunia nomes como Patrícia Galvão, Plínio Marcos, Sérgio Mamberti, Tereza de Almeida, Cid Marcus, Maurice Lègeard, Carlos Pinto, Júlio Bittencourt e muitos outros.

Com a movimentação dos festivais, a atividade era intensa. Grupos nasciam em clubes – como o Clube de Arte, o Atlético Santista e o Clube XV – em colégios como o Canadá e o São José e em agremiações estudantis como o Centro de Estudantes de Santos (CES). Em 1955 o Teatro Experimental da Juventude tinha como diretor o ator Sérgio Cardoso. As peças circulavam bastante pelo Cine-Teatro Independência, o Clube XV, o Centro Português de Santos, a Rádio Clube e o Coliseu. A falta de remuneração não impedia a ousadia cênica dos amadores, que alimentava o chamado teatro profissional com suas experimentações.

Grandes clássicos e peças de vanguarda chegavam ao público pela primeira vez não só pelas mãos das companhias santistas, mas também pela EAD, pelo Grupo Oficina, pelo Teatro de Arena e pelo TBC, além de grupos de diversas partes do País. A companhia de teatro Maria Della Costa estava sempre em Santos, onde apresentou A Moratória, Mirandolina e O canto da Cotovia. Essa última foi tema de uma entrevista exclusiva de Patrícia à atriz, em 1955: “Maria, diga-me alguma coisa da peça, não faça apenas propaganda, atalho brincando”. Neste mesmo ano a EAD apresentou Esperando Godot, e Dercy Gonçalves arrancou risadas do público com Lucrécia Borja. Em 1956, Bibi Ferreira, de passagem para a Bahia, apresentou-se na cidade, assim como o Teatro de Arena.. Outra presença constante em Santos era a Cia Toni-Celi-Autran. 

Circulando por este meio, seja no jornal, no bar Regina ou nos eventos culturais, Patrícia estava sempre a discutir essa produção, época em que o teatro era uma das suas maiores paixões.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Cultura e boemia


Na Avenida Ana Costa, no Gonzaga, ficavam os cinemas, o Clube de Arte, e o Bar Regina, um dos maiores locais de concentração dos artistas e intelectuais dos anos 50, ponto de encontro de gente como Plínio Marcos, Maurice Lègeard, Willy Corrêa e Patrícia Galvão.


Ao mudar-se para a cidade, entre “1957 e 1958”, onde permaneceu até 1962, o jovem músico Willy conta que logo inseriu-se nas discussões culturais: "Tinha várias coisas que me atraíram, como o Clube de Cinema. Foi através dele que comecei a conhecer as pessoas. Era muito vivo, muito animado, tinha o Maurice Lègeard. Conheci o Gilberto [Mendes], o Roldão [Mendes Rosa], Gastão [Frazão, artista plástico], todo o pessoal. Depois me mudei para perto da casa de Patrícia e Geraldo em 60, tinha um contato maior. Tinha um grupo em Santos que tinha um interesse por arte muito vivo. Eu não teria mãos para citar todo mundo, pois era muita gente interessada em arte. Frequentava muito o bar Regina, toda noite eu estava lá. Descobri um grande poeta, o Roldão, o Gastão [...].Morei de norte a sul no Brasil e não me lembro, naquela época, de um lugar que fosse mais efervescente culturalmente do que Santos.


As fotografias do acervo da Fundação Arquivo e Memória de Santos mostram uma cidade ainda em desenvolvimento. Acima, o Cine Atlântico (foto acima), no Gonzaga. Praticamente todo bairro santista possuía uma sala de cinema naquela época. 


Acima, foto noturna no Gonzaga. O Bar Regina ficava na Praça da Independência, onde circulavam praticamente todas as linhas de bondes da cidade. Depois do cinema ou do teatro, era para lá que a turma se dirigia.






sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Santos cultural dos anos 50 (trecho do livro)

O Parque Balnerário Hotel, palco de apresentações artísticas
A Santos portuária caracterizava-se, ao lado do Rio de Janeiro, como principal via de entrada no país das novidades estéticas e culturais, em grande parte originárias da Europa. Companhias teatrais e grupos musicais que chegavam ao Brasil faziam uma breve parada em Santos, onde muitas vezes ocorria a sua primeira apresentação ao público brasileiro, antes de partir para São Paulo ou outro destino. Artistas estrangeiros em turnês pelo Brasil apresentavam-se no Teatro Coliseu, na Boca (zona boêmia localizada na área portuária de Santos), nos cassinos, no Clube XV, no Parque Balneário (espécie de clube noturno). Grandes orquestras estiveram na cidade, como a de Tommy Dorsey, que tocou no tradicional Clube XV, conta Tereza Cavalcante Vasques, professora de línguas e de História da Arte, que testemunhou tudo isso na adolescência.

Tempo da Santos nostálgica, ligada às imagens da cidade portuária e do alvoroço cosmopolita, quando o porto das viagens marítimas ainda não perdera espaço para as viagens de avião e a carga dos navios ainda não era transportada por containers que, a partir dos anos 70, iriam promover a redução do tempo de embarque e desembarque dos navios diminuindo o número de pessoas da tripulação em circulação pela cidade, explica Alessandro Atanes, pesquisador das relações entre porto e literatura. Ocupada por cabarés e restaurantes, a vida noturna na Boca era considerada de tão boa qualidade quanto a do porto de Hamburgo. Seus espetáculos musicais e de dança (incluindo muito streap-tease) eram um atrativo para santistas e turistas. 

Estrangeiros traziam para Santos discos e livros. A importação da cultura europeia era feita, em sua maioria, pela elite santista, apreciadora da cultura erudita, relata Tereza. Assim como Patrícia, pequenos grupos que se interessavam pela arte – principalmente a estética francesa – acompanhavam as novidades e o debate das novas tendências por meio dos jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de publicações estrangeiras.
O cenário favorecia a discussão da cultura na imprensa. Nas páginas de A Tribuna, registros da chegada de grandes artistas, como a Cia do Teatro Italiano, que iniciou por Santos, em 1955, a sua turnê sul-americana, trazendo montagens de várias peças – entre elas, de Shakeaspeare e Pirandello. A bordo do navio Giulio Cesare, Renzo Ricci, um dos maiores atores italianos vivos, concedeu entrevista coletiva durante o coquetel que reuniu a imprensa local e de São Paulo.

Os atores Tony Curtis e Janet Leigh desembarcam no Porto de Santos 
em setembro de 1961 (Foto: Justo Peres) 

Imagem da Rádio Clube de Santos (década de 30), local que sediou as rádio-novelas, apresentações de teatro, palestras e muitas outros atrativos culturais.

Como repórteres de O Diário, Narciso de Andrade e Francisco de Azevedo tiveram sua trajetória marcada pelo porto de Santos nos anos 40. Nos navios que chegavam à baía entrevistaram viajantes estrangeiros, políticos de países vizinhos, como Argentina e Uruguai, empresários e artistas. “As grandes personalidades do mundo sempre passavam por aqui a bordo de navios de passageiros”, lembrou Narciso. “Levantávamos muito cedo, íamos de lancha marítima até o navio”, recordou o fotógrafo José Herrera.

Santos em imagensA Fundação Arquivo e Memória de Santos mantêm um rico acervo fotográfico da cidade de Santos, como as imagens aqui publicadas. Para o projeto deste blog colaboraram na pesquisa Isabel Christina M. do Nascimento (técnica em processamento iconográfico), Roseny Frauche (técnica em processamento iconográfico) e Marcelo Mathias (coordenador setor de acervo iconográfico), a quem agradeço pelo empenho e atenção.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

De Pagu a Patrícia - o último ato

Livro revela a produção cultural e jornalística de 

Patrícia Galvão nos seus últimos anos de vida


Nos anos 50 ela já não mais queria ser chamada de Pagu. Depois de trocar a militância política pela militância cultural e pelo jornalismo, Patrícia Galvão chega a Santos (SP) em 1954 para incendiar a cena, atuando como jornalista em A Tribuna, produzindo peças de teatro e eventos literários e difundindo a vanguarda. Esta história é contada no livro De Pagu a Patrícia – o último ato (Dobra Editorial / Fundo de Cultura de Santos), da jornalista e pesquisadora Márcia Costa, cujo objetivo é revelar a intelectual por trás do mito.
 O lançamento será realizado nos dias 05 de dezembro na Casa das Rosas, em São Paulo, e no dia 08 de dezembro na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, com debates e apresentações artísticas que vão lembrar a produção jornalística e cultural de Patrícia Galvão, cinquenta anos após sua morte, em 12 de dezembro de 1962, em Santos.
Não se trata de uma biografia, mas de história cultural. A pesquisa iniciou-se durante o curso de mestrado (2006-2008) em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, onde Márcia Costa estudou a coluna Literatura, produzida por Patrícia em A Tribuna, e se estendeu com o estudo da relação de Patrícia com o teatro, registrada na coluna Palcos e Atores,  e no levantamento dos fatos históricos que compuseram a cena cultural em Santos e no Brasil dos anos 50. O projeto do livro foi selecionado pelo Fundo Municipal de Cultura de Santos, que financia a publicação. A obra tem prefácio do compositor Gilberto Mendes, amigo de Patrícia, capa produzida pelo artista plástico Fabrício Lopez (xilogravura) e  orelha assinada pelo escritor Flávio Viegas Amoreira.

Geraldo Ferraz e Patrícia: parceria intelectual e amorosa
 (Arquivo Rafael Moraes - Fundação Arquivo e Memória de Santos).
 
No jornal A Tribuna Patrícia imprimiu as marcas do seu último ato, onde estão registradas a produção artística da época sob uma visão moderna e cosmopolita. A análise dos artigos de Patrícia e as entrevistas com testemunhas de época permitiram a Márcia Costa narrar a força de Patrícia na luta apaixonada pelo teatro, marcada pela participação na vitoriosa campanha pela construção do Teatro Municipal, na criação da União de Teatro Amador de Santos, no apoio à realização de importantes festivais, no incentivo aos jovens talentos como Plínio Marcos, na formação de grupos amadores e na divulgação e na produção de peças de vanguarda, como Fando e Lis (Fernando Arrabal), A Filha de Rappaccini (Octavio Paz). “A coluna Literatura também mostra uma Patrícia antenada com as vanguardas da época, e serve de guia para se entender a literatura moderna nacional e internacional, onde ela já destacava autores poucos conhecidos como Clarice Lispector e Fernando Pessoa, e onde traduziu nomes como Blaise Cendrars, Henry Heine e Paul Valéry”, diz a autora.
Pelo mundo da cultura – Para escrever suas colunas sobre literatura e teatro, Patrícia mantinha contato estreito com grandes artistas e intelectuais do período. No prefácio da obra o compositor Gilberto Mendes lembra o interesse dela pela Música Nova, produzida por ele e Willy Corrêa de Oliveira (autor da partitura da peça A Filha de Rappaccnini). Por meio de visitas, correspondências, entrevistas, encontros, resenhas ou envio de livros, Márcia traçou um panorama de contatos de Patrícia Galvão que passava por Sábato Magaldi, Alfredo Mesquita, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Casais Monteiro, Cacilda Becker, Sérgio Milliet, Flávio de Carvalho, Lygia Fagundes Telles, Fernando Arrabal, Jean Paul Sartre, Eugène Ionesco, entre muitos outros citados pela jornalista em a Tribuna.
O vasto material publicado por Patrícia no jornal (que então era editado por Geraldo Ferraz, parceiro amoroso e intelectual) e a sua própria prática no campo cultural se traduzem em verdadeiras aulas. Ela discutiu o país por meio das vanguardas culturais e artísticas”, explica a autora. “Aprende-se muito com Patrícia Galvão, mulher generosa, forte e polivalente, intelectual por vezes ofuscada pelo mito”. 

Geraldo Ferraz e Patrícia em A Tribuna, nos anos 50 
(Arquivo Rafael Moraes - Fundação Arquivo e Memória de Santos).

Programação do lançamento

Dia 05 de dezembro, às 19h - Casa das Rosas, em São Paulo
Apresentação do evento: Flávio Viegas Amoreira.
Releitura de um texto jornalístico de Patrícia sobre o teatro com a atriz Marisa Matos.
Debate com Márcia Costa, Geraldo Galvão, Terezinha de Almeida e Sérgio Mamberti (nome a confirmar).
(Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista).

08 de dezembro, às 16h - Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos
Apresentação do evento: Flávio Viegas Amoreira.
Alice Mesquita (canto)
Performance O Jardim de Patrícia, do Núcleo de Pesquisa do Movimento – Imaginário Coletivo de Arte (com Célia Faustino, Márcio Barreto, Marília Fernandes, Maria Tornatore e Alessandro Atanes).
Debate com Márcia Costa, Geraldo Galvão, Lúcia Teixeira Furlani e Sérgio Mamberti (nome a confirmar).
Tarso Ramos (piano).
(Endereço: Av. Bartolomeu de Gusmão, 15).